Três paixões, simples mas irresistivelmente fortes, governam a minha vida: o desejo imenso de amar, a procura do conhecimento e a insuportável compaixão pelo sofrimento humano. (Bertrand Russel)

.

O Corpo Solidário

A noção holística da vida, e do universo está hoje em dia cada vez mais actual. Mas segundo o princípio da complementaridade, uma visão cartesiana ainda pode ter espaço na actual análise bíblica uma vez que uma percepção fragmentada dos seus textos complementa uma percepção global, e portanto holística. Embora as duas visões possam parecer mutuamente excludentes em certos momentos, as duas perspectivas analíticas são igualmente necessárias para a compreensão e descrição da verdade revelada. Sendo que analiticamente a "minha" verdade será sempre, - e apenas - uma aproximação da revelação divina, ninguém - pessoa ou grupo - poderá obviamente dizer que tem a verdadeira e total revelação. A revelação será sempre - e considerada objectivamente - uma revelação parcial. Portanto sempre incompleta. Assim a nós não nos pode interessar apenas o objectivo final, mas primeiramente o processo de o encontrar. "Estar a caminho" é já em si a própria revelação. Mas esta realidade não pode servir de desculpa para a desobediência, indiferença, e ignorância. Todos sabemos que não seremos apreciados por Deus pelo que sabemos mas pelo que fazemos com o nosso grau de revelação. E, enquanto estamos neste processo todos sabemos o que significa "fazer o bem". Mesmo que possamos necessariamente relativizar o conceito. E, será até preferível e desejável que o façamos. O conceito de "bem" dependerá sempre de variadíssimas circunstâncias e necessariamente de múltiplos factores. Mas não deixará nunca de ser "bem". Socialmente penso que afinal esse será sempre o devir (e o dever) do cristão sincero e militante. Pelo menos enquanto estivermos "por cá". Uma caminhada nada fácil. A primeira carta de Paulo aos Coríntios no capítulo XIII mostra isso mesmo, quando fala do amor como "motor" e "finalidade" da vida cristã. "Agora vemos em parte como por enigma"... Uma visão apenas holística tornar-nos-ia certamente muito mais responsáveis. Mas provavelmente não foi essa a intenção de Deus. Por isso podemos abertamente dizer como Tiago: "Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz comete pecado". E, não existe cristianismo individualista. A vivência cristã só pode concretizar-se em comunidade. Por isso mesmo a importância da Igreja como corpo solidário, onde podemos amar e perdoar e ser também amados e perdoados. Por causa do que acima se escreve podemos não concordar todos com tudo. E. ainda bem! Mas o amor e a consequente solidariedade terá que ser sempre e tão só o único fundamento dos nossos relacionamentos. É aqui que se concretiza a oração de Jesus: "... Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste... E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um. Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade. . ." (João 17:20–23) Um autêntico desafio lançado pelo próprio Jesus Cristo! Quereremos nós aceitar o repto?

04/12/09

Amarantine

Corre o verso, corre a rima

corre o verso, corre a rima
da boca do poeta. (a sua sina)
mesmo na dor, mas com certeza
fala ao perigo, e à rudeza

num novo olhar que lhe desperta
faz do poema um novo alerta
... mas a poesia só vale a pena
quando a alma não é pequena

e, quando a dor a ti chegar
faz no verso o teu lugar
pois até a lua e o sol se vergam
e perante o poema se renegam

que dizem os poetas? que rimam?
que falam eles? que sublimam?
que o poema mata a dor,
e em seu lugar propaga amor

ouçam todos este aviso
pois ao poeta Deus deu siso
e a palavra certa. o bom momento.
enche a alma de contentamento

02/12/09

Deus não sofre
quando os filhos dormem
do lado errado?


The sun rises,
but for the afflicted
is needless.

O que será que me está a escapar?

Todos queremos ser bem sucedidos. A busca de sucesso pessoal, social, profissional, ou até espiritual nunca como actualmente mereceu tanto esforço e atenção da nossa parte. Alguns amigos não têm pejo em dizer que o seu sucesso está claramente exposto e provado pela sua "obra feita". Independentemente do que isso queira dizer. O sucesso tornou-se portanto hoje em dia uma realidade perfeitamente visível e mensurável. Nas Igrejas actuais não há lugar para falhados. Os falhados são gente débil, e portanto inútil. Ou "úteis" apenas para satisfazer alguns dos nossos desejos ocasionais (e egoístas) de "caridade". Uma invenção evangélica substituta da solidariedade social actual que teima em ser cada vez mais ineficaz. Hoje dos púlpitos é muitas vezes parafraseado Mao Zedong - "se vires um pescador com fome não lhe dês um peixe - ensina-o a pescar. Esquecendo naturalmente que tal pescador para aprender a pescar precisa para além da teoria, de um rio, de peixe, da cana e do anzol. Os fracassados são agora apelidados de crentes "infiéis". Especialmente no que respeita aos dízimos e às ofertas. Gente sem uma pontinha de fé criativa e militante que não merece sequer uma pequena parte da atenção de Deus. "Se não estás a ter sucesso alguma coisa está mal com a tua atitude espiritual" - dizem os "abençoados". Os crentes "falhados" "fazem parte do problema e não da solução" - como é costume dizer-se. Sim, porque este deus hodierno é um deus de gente capaz, ousada, livre e decidida. Mas já Wallace Wattles dizia no princípio do séc. passado que não era necessário acreditar em nenhuma divindade para se ser bem sucedido. Deus foi por ele substituído pela "Substância Informe". Um emergente conceito pseudo-panteísta aplicado ao tempo nos negócios. Era normal numa sociedade capitalista, libertária e (pretensamente) anarquizante. Bastava para isso (para ser bem sucedido) segundo Wallace Wattles entender e integrar o sistema de criação e distribuição da riqueza. "Livrem-se de acreditar em alguma divindade pessoal pois isso pode corromper os vossos objectivos pessoais, e provocar em vós sentimentos de solidariedade". Diz Wallace por outras palavras. Os ricos mundanos provam isso mesmo. E, também existem ateus "bem sucedidos" e ricos. Hoje, no meio evangélico, o estatuto social, os bens materiais, e especialmente o dinheiro provam (por enquanto) a pujança da nossa fé. Hoje o Evangelho tornou-se francamente uma "demanda pelo sucesso". Os falhados são sujidade nesta nova engrenagem impessoal e discriminatória. Mas o que será o sucesso na perspectiva das Escrituras? Na perspectiva de Deus? É uma questão que me tem perseguido bastante ultimamente. Quando olho para os meus irmãos na fé vejo de tudo. Desde homens de negócios "bem sucedidos" até desempregados de longa duração. O que será que me está a escapar?

É tempo de partilhar Rosas Vermelhas

uma rosa vermelha
é sempre
um motim
de múltiplos,
graciosos
e audazes
sentimentos

e o amor
prevalece sempre
na perversidade
das analogias
circunstanciais.
o seu rasto
deixa marcas
duradouras
nos rostos
dos mais fracos

homens e mulheres
raparigas e rapazes
dai do seu odor
na ruas da cidade
do Grande Amigo

aqui em Jerusalém
é tempo
de partilhar
amor

é tempo
de partilhar
Rosas Vermelhas

28/11/09

Pensamento oblíquo

hoje
finjo que o conheço
e dou mais um passo,
um compasso
à volta do saber
dos néscios

hoje
finjo que o amo
e dou mais um salto,
por alto
à volta do louvor
dos tristes

hoje
finjo que o ouço
e dou mais um grito,
esquisito
à volta do cantar
dos surdos

hoje
finjo que o vejo
e dou mais um lamento,
por dentro
à volta do andar
dos cegos

hoje

hoje finjo tudo
o galo pode cantar!
pode ser
mas não desisto
de o ver sofrer
e não desisto
até ver
do meu prazer

23/11/09

A Hesíodo







o sol deseja estar presente
pois não resiste ao teu siso
nem os homens guardam
para sempre o teu aviso

em dez mil vidas
vejo a tua Palavra
em cumprimento

Às três da tarde. ( Comentário repentista ao Poema "A Paixão", com um verso de Garcia Lorca, de João Tomaz Parreira)

...
e às três da tarde
abrem-se as portas da eternidade
o pecado jaz no tempo
a vida agarra o momento
o véu se rasga, de alto a baixo
e também o coração do Pai
ao ver o Filho pendurado
sem culpa, tão despojado
que o dia se fez noite
e o sol trémulo se esconde
para que todos possam ver
o velho homem morrer
e a nova vida nascer
no coração de quem olha
e retira da Sua mão
as vestes da salvação
pela fé no sangue
e dor. no Seu amor
a liberdade veio
e agora já podemos
morar no seu seio

agora e sempre
às três da tarde
(sempre às três da tarde)
se rasga o véu da incredulidade
e os nossos olhos contemplam
todos os dias,
esta verdade
às portas da eternidade

20/11/09

(In Dollar We Trust)

Este palhacito
no caminho acredita
que o deus do milhão
é o bom da fita
.
mas o deus do palhaço
por cá não estará
quando a dor vier
o tempo o dirá
.
certos palhacitos
aprendem depressa
outros nem por isso
.
...mas o deus do cifrão
não quer saber disso
e logo dispersa

01/12/09

Vai amigo, vai

Vai amigo, vai

Encontrarás o teu Deus para além da linha do horizonte
Onde ainda houver sonhos abundantes de significado
E promessas de nova vida sem limites de contentamento

Voarás então nas palavras do Seu conhecimento
Ele te conduzirá a momentos intemporais nunca antes imaginados
O Amor e a Paz serão os teus companheiros
E, o gozo e a alegria serão para sempre a tua possessão

As noites serão tranquilas
As tardes suaves e amenas
E, as manhãs plenas de alegria e felicidade

As antigas lembranças não mais te incomodarão
Nem as mordazes palavras dos teus antigos companheiros circunstanciais
Ou os momentos estilhaçados pela dor do tamanho da solidão e da angústia
As desgraças alheias. O palco da vida. O temor do fracasso.
As incertezas!

Estará provavelmente à tua espera nos lugares mais inusitados
Ou pairando incasavelmentre sobre algum arbusto escondido
Junto a algum antigo ribeiro de águas vivas. Ou junto ao cais de embarque para a imortalidade
Onde houver rosas vermelhas. Onde houver sorrisos essenciais. Onde houver Graça abundante.

Ou talvez o encontres no deserto do teu próprio descontentamento

O mais provável é que o encontres
nas asas da liberdade!
Onde tudo o que é efémero
se reveste de eternidade!

Vai amigo, vai

13/11/09

Festejemos hoje e sempre a queda do muro de Berlim!


Festejemos hoje e sempre a queda do muro de Berlim!


Destruamos todos os Muros!
Construamos Pontes!
Distribuamos Graça!
Abracemos todos os Homens!


"o que nos separa não são as nossas opiniões, mas os nossos medos"

Straightened my way


Opened my eyes
Cleaned my tonge
Washed my hands
And gave me a new song

I'm dancing like David
Jumping and clapping my hands
Because as renewed in me His Holy Spirit
And gave me the anointing of His Glory
Filled my mouth with good words
- the fragrances of your breath
And put in my heart His eternal life

Straightened my way
Straightened my way
Straightened my way


He took me the hat of sadness
And gave me the helmet of salvation

Opened my eyes
Cleaned my tonge
Washed my hands
And gave me a new song
04/11/09

God reigns!







I shall sing
your anointed words,
of pure love

Geracão Aarónica com Dias Contados (por Rute Isabel)

«Não se deixem levar pelos diversos ensinos estranhos. É bom que o nosso coração seja fortalecido pela Graça, e não por alimentos cerimoniais, os quais não têm valor para aqueles que os comem. Nós temos um altar do qual não têm direito de comer os que ministram no tabernáculo. O sumo sacerdote leva sangue de animais até o Santo dos Santos, como oferta pelo pecado, mas os corpos dos animais são queimados fora do acampamento. Assim, Jesus também sofreu fora das portas da cidade, para santificar o povo por meio do seu próprio sangue. Portanto, saiamos até ele, fora do acampamento, suportando a desonra que ele suportou. Pois não temos aqui nenhuma cidade permanente, mas buscamos a que há-de vir.» Hb. 13:9-14

«(...)"Eu sou o pão da vida. Os seus antepassados comeram do maná no deserto, mas morreram. Todavia, aqui está o pão que desce do céu, para que não morra quem dele comer. Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Se alguém comer deste pão, viverá para sempre. Este pão é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo."

Então os judeus começaram a discutir exaltadamente entre si: "Como pode este homem nos oferecer a sua carne para comermos?" Jesus lhes disse: "Eu lhes digo a verdade: Se vocês não comerem a carne do Filho do homem e não beberem o seu sangue, não terão vida em si mesmos. Todo aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Todo aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Da mesma forma como o Pai que vive me enviou e eu vivo por causa do Pai, assim aquele que se alimenta de mim viverá por minha causa. Este é o pão que desceu dos céus. Os antepassados de vocês comeram o maná e morreram, mas aquele que se alimenta deste pão viverá para sempre." Ele disse isso quando ensinava na sinagoga de Cafarnaum. Ao ouvirem isso, muitos dos seus discípulos disseram: "Dura é essa palavra. Quem pode suportá-la"(...) Daquela hora em diante, muitos dos seus discípulos voltaram atrás e deixaram de segui-lo.» Jo. 6:48-60,66

Já tomou hoje a sua dose de "alimento cerimonial"? Já foi hoje "saciado" por "comida" confeccionada e fornecida em "tabernáculo" modernamente montado por homens menos que ingénuos ou inescrupulosos? Se não foi, não desespere! Saiba que esse tipo de alimento espiritual não é necessário para o seu desenvolvimento enquanto pessoa humana. Pelo contrário, poderá mesmo vir a ser fatal para a réstia de humanidade que teima ainda em brilhar dentro de si.
No dizer do autor da carta aos Hebreus, o altar que hoje se encontra à nossa disposição, é, de facto, realidade de muitíssimo melhor natureza, dele não podendo alimentar-se quem serve ainda, de forma idólatra e avara, ao "tabernáculo" de homens poderosos ou com ambição de Poder... Melhor, muitíssimo mais saborosa e susceptível de dar fruto infinitamente.
Jesus, não o do sacrifício individual pelo pecado de todos, nas palavras dos que, ao seu tempo, detinham o Poder Religioso (João 18:14), não o Poderoso Senhor urdido pela imaginação de outros tantos poderosos opressores dos mais incautos, a quem titularam de Cristo, não o suposto fundador de uma religião a que convencionaram chamar Cristianismo, ou apenas mais um vulgar instituidor de cúpulas hierarquizadas e hierarquizantes, mas o homem cem por cento humano, histórico, sinal da eterna Presença divina, do Sopro do Espírito Santo na história humana, cuja vivência começou por manifestar aquele que haveria, que há-de ser o paradigma do Homem Perfeito aos olhos de Deus, (não necessariamente aos olhos humanos), que se "semeou" a si mesmo na Terra a fim de poder "dar fruto" em abundância, que é dizer, a fim de dar origem a uma infinita multiplicidade de filhos e filhas, que, chegados à idade da Razão, à maioridade plena, abandonando para sempre toda a infantilidade e adolescência de entendimento, carreguem em si mesmos a imagem de Deus, soltando os que, ainda cativos pela má consciência do errar permanente do alvo, se acham impedidos de olhar directa, detida e profundamente nos olhos do Pai de todos os espíritos, de filhos e filhas que caminhem no Amor em si continuamente soprado e aperfeiçoado pelo Espírito de Deus, e encham a Terra de Justiça e Paz para todos, por igual, esse Jesus, a quem os Poderes Religioso e Político condenaram e assassinaram mancomunadamente, abriu-nos o caminho.
Na verdade, o exemplo deste Jesus histórico, perfeitamente contextualizado no espaço e no tempo, é de tal ordem ultrajante para todos os que ambicionam, ainda hoje, o Poder nos seus diferentes matizes e contornos - Económico, Político e/ou Religioso, e para a pretensa sabedoria humana, que não se contentando em pregá-lo numa cruz e em afirmá-lo como sacrifício de um só homem por todos os homens, têm ainda feito dele o fundador do Cristianismo e o instituidor de cúpulas e hierarquias eclesiásticas, quando ele mesmo advertiu que a ninguém positivamente se distinguisse, chamando Mestre, Pai, Bispo, Pastor ou atribuindo qualquer outro título, mas que quem quisesse ser efectivamente o maior no Reino de Deus, fosse como o menor e mais insignificante dos servos (Mateus 23: 8-12; Marcos 9:33-37). Não se bastou, contudo, com as palavras. A sua vida foi vivida como se de efectiva morte se tratasse, servindo como o mais irrelevante, desprezado e, até ridicularizado de todos os homens. Porque era louco ou, pelo menos, assim era considerado, inclusive por muitos dos que o observavam bem de perto e o acompanhavam! Foi, todavia, o louco que maior lucidez transportou em si mesmo, em toda a história humana. E, o fraco que maior fortalecimento recebeu de Deus.
Jesus abriu, pois, com toda a autoridade, caminho para um Novo Homem e para uma Nova Mulher, para uma Nova Geração de gente, para uma Nova Espécie espiritual, "semente" de abundância... Para cada pessoa que da sua carne ousar alimentar-se e que vier a beber do seu sangue, metaforicamente falando. Quem nele depositar a sua confiança como homem cem por cento aceite por Deus, que reflecte, de forma clara e inequívoca, a Sua Imagem, a qual ninguém viu e a Sua Natureza, a qual ninguém compreendeu. Quem vier a viver a sua vida como perda e não como ganho pessoal. Quem se aventurar a sair da cidade da sua própria religiosidade e dos seus preconceitos subjectivos e se determinar a ir ao encontro do Cordeiro de Deus que tira, de facto, o pecado do mundo. Parafraseando o autor de Hebreus, quem for ao seu encontro, fora do conforto e longe da anestesia do acampamento, e se dispuser a sofrer o mesmo tipo de desonra que ele se dispôs a sofrer. Ele foi apenas o primeiro a sacrificar a sua existência em benefício de todo o que vier a aceitar o seu exemplo em sua própria vida e se vier a tornar, juntamente consigo, sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; não o único, como nos têm tentado fazer acreditar... Há mais gente "insana" e determinada sobre a face da Terra. O plano de Deus de enchê-la com este tipo de "insanidade" permanentemente repleta de lucidez verá, um dia, o seu integral e cabal cumprimento, (Gn. 1:28; Ap. 21:3-5). Será o dia em que todos os homens oferecerem a sua vida em sacrifício suficiente para remover os pecados de todos homens. Será o Reinado da Liberdade dos filhos de Deus, com verdadeira Justiça e Paz ao alcance de todos e de qualquer um. Muito diferente do que se conhece, para já ou, do que se tem observado até aqui.
Os que teimam em servir no "tabernáculo" não possuem, segundo o autor de Hebreus, o direito de se alimentarem deste tipo de comida espiritual. O próprio Jesus, salientando o mover da Nova Geração, do Novo Homem e da Nova Mulher, por contraposição à sombra ou simbologia da actividade sacerdotal no templo da Antiga Aliança, afirmou que a Geração, o Homem e a Mulher que os precederam, apesar de terem consumido o mais refinado banquete celestial, no deserto, contra todas as razoáveis expectativas humanas, morreram pelo caminho, não tendo, consequentemente, chegado à Terra da Promessa. No sentido espiritual, significa que aquele manjar do Céu do Primeiro Pacto não era, apesar de tudo, alimento perfeito, útil ou suficiente aos olhos de Deus, sendo ainda necessário que viesse o "pão" que por Si viria a ser aceite como adequado para dar vida e vida em abundância a todas as pessoas que dele se alimentassem.
Na realidade, o verdadeiro tabernáculo espiritual, o ponto de encontro regular com Deus e o lugar onde sopra o Seu Espírito é cada homem, mulher ou criança que por Ele se deixar guiar e motivar, no seu quotidiano.
Assim, ouse procurar Deus no seu próprio espírito, sem recurso a falsos e obsoletos mediadores que se interponham entre si e Ele e que se venham, porventura, a tornar seus senhores, opressores eventuais, a quem venha a ter que pagar esperado tributo de vassalagem. Creia na pessoa e no exemplo de Jesus Cristo e na sua descendência espiritual como suficientes para cumprirem integralmente o plano de Deus na Terra. Deseje tornar-se parte integrante dessa Geração.
Esqueça as tradições humanas cuja causa ou razão de ser não faça qualquer sentido para si. Viva livre de preconceitos e faça com que outros se sintam, igualmente, livres. Creia em Deus como o Único capaz de a todos tornar verdadeiramente livres desse produto civilizacional ou cultural a que chamamos consciência do Bem e do Mal e de nos soltar para uma vida guiada pelo Seu Espírito, na qual o Amor deixa de ser jargão inconsequente e passa a ser a Perfeição por Ele observada em cada pessoa que atinge a medida da estatura do cem por cento humano, aceite, preservado e santificado por Deus para reflectir a Sua própria imagem sobre a Terra.
Aprenda a confiar e a depender desse Sopro sobrenatural saído de Deus. Ele é Liberdade! Jamais o(a) aprisionará, de novo... Não tenha medo! Deixe que Ele cuidadosamente insufle suas frágeis "narinas de barro" e Siga-O aonde Ele for. Fale conforme Ele o(a) inspirar. Deixe que Ele transtorne pensamentos e mentalidades que ainda o(a) subjugam. Procure encontrar-se com Deus permanentemente. Permita que Ele o(a) ajude a encontrar-se consigo mesmo(a) e com outros, por maior que seja o seu medo. Lembre-se de que Ele estará sempre junto de si, pronto para curar eventuais feridas, para soltá-lo(a) das suas prisões individuais e para remover todo o embaraço, vergonha ou humilhação que sinta, seja por que motivo for. Permita que Ele o(a) restaure à sua condição de homem ou mulher plenamente digno(a) aos Seus olhos.
Viva de modo generoso e liberal, sensível ao seu mundo interior, assim como ao mundo exterior e às suas necessidades. Partilhe, igualmente, a sua riqueza espiritual, intelectual, emocional e material. Seja guiado(a) por Deus a cada passo.
Tenha uma óptima semana!

O pecado que não me deixa ver Deus



com esperança
e por favor dos ricos
remedeia o dia

In Memory











porque chorais?
Deus hoje é feliz
beija um filho

Saramago. Um amigo de Deus?

Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente." (1 Coríntios 2:14)
No princípio Deus ainda não tinha sido descoberto. Estava ainda oculto nas trevas da ignorância na nossa ancestral pecanimosidade. Era apenas um pensamento sem suporte objectivo e puramente mental, ocasional e psicológico. Mas Deus quis revelar-se e ser conhecido pelos seres que outrora tinha criado. Na sua imensa sabedoria não escolheu um "qualquer" ilustre conhecido para esse efeito. Escolheu Abraão. Por isso foi Abraão posteriormente chamado o "pai da Fé". Através de histórias ética e moralmente umas vezes mal, outras vezes bem conseguidas Deus lá se foi revelando... Deste modo (e certamente de muitos outros modos) Deus estava assim cumprindo o Seu plano inicial de ser conhecido como um Pai extremoso e amoroso. Assim sendo lá se foi revelando... Toque aqui, retoque acolá... Sem pressas. Que a pressa é inimiga da perfeição. Ainda hoje O estamos a conhecer e a reconhecer. Somos induzidos muitas vezes a duvidar da Sua amorosa perfeição pelos mais diversos, comuns, e extemporâneos motivos. Duvidamos sobretudo da Sua existência e especialmente do seu Amor num mundo cheio de maldade, miséria, e das mais diversas - e genuínas - perplexidades. Mas Deus continua incansavelmente a perseguir-nos com o Seu propósito previamente estabelecido. Amar e ser amado! Conhecer e ser conhecido! A essa "relação" bidireccional e conscientemente livre e inteligente entre Deus e os homens pode chamar-se "coexistência". Uma relação com muitos e bons avanços, mas entremeada naturalmente com alguns reprováveis recuos. Esta coexistência nem sempre tem sido fácil. Nem sempre tem sido pacífica! Mas tem sido bastante duradoura... Muitas vezes esta coexistência fica refém de sentimentos descontinuados, e ultrapassa a lógica da nossa própria racionalidade. Como afinal também acontece com qualquer relacionamento que se queira prolongado e feliz... A esta "coexistência" também se chama "revelação". Esta revelação não é uma questão meramente histórica ou literária. (Embora a história e a literatura bem como as artes e ciências em geral sejam testemunhas desses factos para a posteridade. Mas esta é sem margem para dúvidas uma revelação "relacional". Histórias vividas de cumplicidades e alguns desconfortos entre velhos amigos. Saber que Deus existe e compreender os aparentes paradoxos da nossa própria cosmovisão e existência, não é tarefa fácil. Compreender as nossas misérias e virtudes no contexto deste ancestral relacionamento, humano-divino não será nunca tarefa para todos. Constatamos de facto que apenas alguns que se esforçam por "entender" estes assuntos têm acesso a este "conhecimento" simultaneamente milenar e hodierno. Simultaneamente racional e espiritual. Por vezes doloroso mas a mor das vezes assumidamente bem conseguido e feliz. Entretanto entendemos que afinal esta "revelação" é fundamentalmente uma questão espiritual. Posto isto alguém perguntará: Mas onde está Deus? Como posso estabelecer com Ele uma relação de proximidade? Uma "coexistência"? Algures no espaço sideral? Algures dentro de alguma Igreja? Habitará Deus um Universo puramente noosférico? Sim e não! Deus está sempre presente Aqui e Agora! Sim Deus na Sua eternidade submeteu-se em Cristo ao tempo e ao espaço para se poder relacionar connosco e assim poder dar a conhecer toda a sua grandiosidade e Amor. Todo o Seu potencial, que quer ver usado a favor de toda a humanidade - os Seus filhos... Mas estas "coisas" espirituais apenas podem ser entendidas espiritualmente. Num contexto relacional com Deus. Num contexto de "revelação"

As quais (coisas) também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais". ( 1 Co 2:13 )